Adriana da Rocha Zanardo
A proteína é um macronutriente essencial para a manutenção da massa muscular, funcionamento do sistema imunológico, produção de enzimas, hormônios e neurotransmissores. Em dietas vegetarianas, é comum surgir a dúvida sobre como atingir as necessidades diárias desse nutriente sem o consumo de carnes.
A boa notícia é que há uma ampla diversidade de alimentos de origem vegetal, além de opções ovolactovegetarianas, que contribuem de maneira consistente para o aporte proteico diário. A diversidade alimentar, a combinação entre diferentes fontes de proteína e a atenção à qualidade nutricional dos alimentos escolhidos são aspectos centrais no planejamento de uma dieta vegetariana equilibrada.
A seguir, estão as principais fontes de proteína para vegetarianos, com dados de composição baseados na Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO) e informações respaldadas por literatura científica recente. Continue a leitura e confira!
1. Feijão (preto, carioca, branco, fradinho etc.)
O feijão é uma das bases da alimentação brasileira e uma fonte relevante de proteína vegetal. O feijão cozido fornece, em média, entre 4,5 e 8 g de proteína por 100 g, variando conforme o tipo. Além da proteína, o feijão é rico em fibras alimentares, ferro, magnésio e compostos fenólicos.
Estudos indicam que o consumo regular de leguminosas está associado à melhora do controle da glicemia, maior saciedade e redução do risco de doenças cardiovasculares. Embora apresente menor teor de alguns aminoácidos, o feijão pode ser facilmente complementado com cereais, como o arroz, resultando em um perfil de aminoácidos mais completo.
2. Lentilha
A lentilha se destaca pelo maior teor proteico entre as leguminosas mais consumidas. A lentilha cozida fornece cerca de 6,3 g de proteína por 100 g. É também uma excelente fonte de ferro vegetal, folato e fibras solúveis.
Evidências científicas mostram que a lentilha contribui para a redução do colesterol LDL (também conhecido como colesterol ruim) e melhora da resposta glicêmica pós-prandial. Em dietas vegetarianas, é uma opção estratégica tanto para refeições principais quanto para preparações como sopas, saladas e pastas.
3. Grão-de-bico
O grão-de-bico fornece aproximadamente 7,3 g de proteína por 100 g cozido. Além disso, contém quantidades relevantes de fibras, manganês e vitaminas do complexo B.
Estudos recentes associam o consumo de grão-de-bico ao aumento da saciedade e ao melhor controle do peso corporal. Seu perfil de aminoácidos, embora incompleto isoladamente, torna-se nutricionalmente mais equilibrado quando combinado com cereais integrais ou sementes.
4. Ervilha
A ervilha cozida apresenta cerca de 5 g de proteína por 100 g. Também é fonte de fibras, vitamina C e compostos bioativos. A proteína da ervilha tem ganhado destaque em estudos clínicos, principalmente em sua forma isolada, por apresentar boa digestibilidade e perfil funcional favorável. Mesmo na forma alimentar, ela contribui para a ingestão proteica diária e para a saúde intestinal.
5. Soja e derivados (tofu, edamame e tempeh)
A soja é considerada a principal fonte de proteína vegetal em termos de qualidade. O grão de soja cozido fornece cerca de 12 a 15 g de proteína por 100 g, e seus derivados mantêm valores expressivos. O tofu apresenta, em média, 6 a 8 g de proteína por 100 g, enquanto o tempeh pode ultrapassar 18 g por 100 g, devido ao processo de fermentação.
Essa proteína contém todos os aminoácidos essenciais e apresenta alta qualidade proteica, sendo considerada uma das fontes vegetais mais comparáveis às proteínas de origem animal. Evidências científicas recentes demonstram que, quando consumida em quantidades adequadas e distribuídas ao longo das refeições, é capaz de sustentar a manutenção da massa muscular e está associada a benefícios cardiovasculares.
6. Amêndoas
As amêndoas fornecem aproximadamente 21 g de proteína por 100 g, além de gorduras monoinsaturadas, vitamina E e magnésio. Embora não sejam consumidas em grandes quantidades, contribuem para o aporte proteico diário e para a densidade nutricional da dieta. Evidências científicas indicam que o consumo regular de oleaginosas está associado à redução do risco cardiometabólico.
7. Castanhas
Castanha-do-pará, castanha-de-caju e nozes apresentam teores de proteína que variam entre 14 e 20 g por 100 g, conforme o tipo. Além da proteína, são fontes importantes de gorduras insaturadas (também conhecidas como gorduras boas) e minerais, como selênio e zinco.
Apesar do alto valor calórico, pequenas porções diárias contribuem para a ingestão proteica e oferecem benefícios antioxidantes e anti-inflamatórios, conforme demonstrado em estudos recentes.
8. Sementes (chia, girassol, linhaça e mais)
As sementes são fontes concentradas de nutrientes. A semente de girassol fornece cerca de 21 g de proteína por 100 g, enquanto a chia e a linhaça apresentam valores entre 16 e 18 g por 100 g. Além da proteína, destacam-se pelo conteúdo de fibras, ácidos graxos poli-insaturados e compostos bioativos. Podem ser facilmente incluídas em preparações como iogurtes, frutas, vitaminas e pães.
9. Aveia
A aveia é um cereal com teor proteico superior ao de outros grãos, fornecendo cerca de 13 g de proteína por 100 g. Também é rica em betaglucanas, fibras associadas à redução do colesterol ruim e à melhora da saúde intestinal. Estudos indicam que a aveia contribui para maior saciedade e melhor controle metabólico, sendo uma aliada importante em dietas vegetarianas equilibradas.
10. Quinoa
A quinoa fornece aproximadamente 4,4 g de proteína por 100 g cozida e se diferencia entre os grãos por conter todos os aminoácidos essenciais, com perfil mais equilibrado quando comparada a outros cereais. Apesar do menor teor proteico por porção, contribui para a qualidade proteica da dieta vegetariana, especialmente quando associada a outras fontes de proteína vegetal.
Além disso, apresenta boa digestibilidade e é rica em minerais como magnésio e ferro, sendo uma excelente opção para vegetarianos e veganos.
11. Ovos
Para vegetarianos que consomem alimentos de origem animal, os ovos são uma das melhores fontes proteicas. Um ovo fornece cerca de 6 g de proteína, com alto valor biológico e excelente digestibilidade. Estudos reforçam que o consumo moderado de ovos pode contribuir para a manutenção da massa muscular e não está associado ao aumento do risco cardiovascular em indivíduos saudáveis.
12. Iogurte natural
O iogurte natural fornece em média 3 a 4 g de proteína por 100 g, além de cálcio e microrganismos benéficos. Em dietas ovolactovegetarianas, contribui para o aporte proteico diário e para a saúde intestinal.
Além disso, é uma opção prática para o consumo de proteína no café da manhã e nos lanches intermediários, especialmente quando combinado com sementes e aveia, estratégias que aumentam a densidade proteica e nutricional da refeição, conforme discutido anteriormente.
13. Queijos
Fontes relevantes de cálcio e fósforo, os queijos apresentam variação significativa no teor de proteína, que pode ir de valores mais baixos nos queijos frescos até cerca de 15 a 30 g de proteína por 100 g nos queijos semiduros e duros. O consumo deve ser moderado, especialmente de opções com maior teor de gorduras saturadas e sódio, mas podem complementar a ingestão proteica em dietas bem planejadas.
Quando é necessária a suplementação de proteína?
A suplementação proteica pode ser considerada quando a ingestão alimentar não é suficiente para atender às necessidades individuais, mesmo com uma dieta bem planejada. Isso pode ocorrer em diferentes contextos fisiológicos, clínicos e de estilo de vida, como:

- Alta demanda proteica, como em praticantes de atividade física intensa, treinamento de força ou esportes de resistência, nos quais a necessidade de proteína para manutenção e recuperação muscular é aumentada;
- Restrição energética, comum em estratégias de emagrecimento, que pode dificultar o consumo adequado de proteína apenas por meio da alimentação;
- Dietas vegetarianas com baixa variedade, especialmente quando há consumo limitado de leguminosas, cereais integrais, oleaginosas e sementes;
- Dificuldade prática de atingir a ingestão proteica nas refeições, seja por rotina agitada, baixa densidade proteica do café da manhã e lanches ou baixa aceitação de alguns alimentos;
- Fases da vida com maior risco de inadequação, como idosos, adolescentes em fase de crescimento acelerado e mulheres no climatério, em que a preservação da massa magra é especialmente relevante;
- Indivíduos com apetite reduzido ou saciedade precoce, nos quais grandes volumes alimentares não são bem tolerados.
- Situações clínicas específicas, como recuperação pós-cirurgia ou períodos de maior estresse fisiológico, nos quais a necessidade proteica pode estar aumentada;
- Dificuldade de distribuição adequada da proteína ao longo do dia, fator importante para otimizar o aproveitamento metabólico e a síntese proteica muscular.
Nesses contextos, a suplementação proteica, inclusive com alternativas de origem vegetal, pode contribuir para complementar a alimentação, desde que seja indicada de forma personalizada e compatível com as necessidades nutricionais individuais.
Estudos recentes mostram que suplementos proteicos ajudam a alcançar as recomendações diárias quando bem utilizados. Ainda assim, a indicação deve considerar o padrão alimentar, os objetivos pessoais, o estado de saúde e as demandas específicas de cada fase da vida.
Por esse motivo, o acompanhamento de um nutricionista ou outro profissional de saúde capacitado é indispensável, pois permite uma avaliação adequada, a definição da melhor estratégia nutricional e o uso seguro da suplementação. Dessa forma, a suplementação proteica deve ser encarada como um complemento estratégico, sempre orientado por avaliação profissional e inserido em um contexto alimentar adequado.
Referências:
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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS (UNICAMP). Tabela Brasileira de Composição de Alimentos – TACO. 4. ed. Campinas: NEPA/UNICAMP, 2011. Disponível em: https://cfn.org.br/wp-content/uploads/2017/03/taco_4_edicao_ampliada_e_revisada.pdf. Acesso em: 22 dez. 2025.




